terça-feira, 24 de abril de 2012

Trava, escorre, volta
Treme, morre e solta
faz soar suor detento
Medo em poema eu não aguento.

terça-feira, 17 de abril de 2012

pedaços de uma aula de poesia brasileira

Trança;
Transa:
Terra em transe.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Os Outros

 Enquanto a enxurrada de letras universitárias roem as horas que eu costumava utilizar para postar aqui, aproveito para divulgar as almas alheias que gritam comigo. O texto a seguir é de autoria do Mateus Miranda Ribeiro

A Parede I

Estou no trono de um banheiro público cagando minha diarréia.
Desde que assisti ao The Wall é tudo que eu quero fazer.
Fechado no cubículo da vergonha expurgando das minhas entranhas tudo que não me serve mais. É uma torrente frenética lançada pelos impulsos peristálticos que me faz jorrar a merda na lousa, levando-a de volta ao seu lugar de origem.

E que dali vai entrar pelos olhos de outra turma e se cristalizar em armas e lágrimas...

A Parede II

Dia 26 de março de 2012. Meu lápis gagueja em tortas linhas num livro de páginas lisas que comprei em um antiquário. Talvez por medo, talvez pelo trotar randômico do trem japonês que liga a região metropolitana de Porto Alegre. Mas creio que seja por medo.

Medo de a polícia, que diz não se importar com o que penso, me abordar com: " MÃOS AO ALTO! NEM PENSE NISSO!"
Medo de ser pego em flagrante amando.
Medo de concluir que tudo que raciocinei e estabeleci intelectualmente, isso é, tudo que "possuo", é crimideia.

A verdade é crimideia!
Tudo é crimideia!
Pecado, Heresia, Subversão e por fim conformismo?
EU QUERO TRANSGRESSÃO!

Como vou cantar para as crianças se de tanto gritar contra a parede fiquei rouco?
"Eles" vão curar minha rouquidão? Me dar água, mel e gengibre? Não!
De que serviria à "eles" se são surdos?
Porque devo cantar suaves canções para as crianças?
Se o próprio choro do nascimento é gutural e metálico...

quinta-feira, 8 de março de 2012

não-dedicatória

Dedico meu poema ao nada,
que concede tudo à existência
Dedico meu poema a essa  forma
básica da pré-criação
que morre a cada
letra concebida
nessa dedicatória vazia.



São duas horas da manhã
duas pernas dormindo
duas vezes estão sós,
de sua desgraça, sorrindo.

São cinco horas da matina
Cinco dedos de menina
Cinco vezes são motivo
de seu prazer e alívio.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Devoro seu livro lívido ávida de vida. Levanto, vasculho, e voraz te mergulho em vermelho.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Súplicas de uma alma cheia de mais (Parte I)

Escrevo aqui sem um nome próprio, e sem sequer um corpo... Peguei duas mãos emprestadas para materializar de vez essas palavras que me escapam aos poucos, tempo após tempo... Pedaços de verdades desconexas. Sobras que pousaram aqui, entre uma emoção e outra. Cicatrizes de uma alma desmemoriada, que esqueceu como se esquece o que foi sentido... De uma alma desalinhada, recheada de entendimentos dos gestos alheios, mas pulsante de emoções contrárias a eles. De uma alma, enfim, reprimida pelas próprias tentativas de não reprimir outras almas.

Sentia que precisava ser diferente do que havia recebido, precisava muito de mais. Gastei infinitos instantes cismando na singularidade dos meus atos, e assim, pisoteei minha sensibilidade. Soquei as emoções aqui dentro e usei lágrimas como fermento.
Presentemente, sou um eu que não cabe em mim... Um excesso que se relaciona com a carência de existência.